quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Amores sem estações.

O sol acabou de nascer e ela ainda está aqui. As vezes me custa acreditar que ela ainda está aqui. Agora vejo os olhos dela mirarem a mim, de uma maneira tão dela... De um jeito que só ela conseguiria me olhar. O pescoço dela parece sempre tão necessitado dos meus beijos. Aquela pele tão macia, os pelos do seu braço, arrepiados, com frio. E aí me dou conta que estou amando. Estou amando não só aqueles lábios... Estou amando até mesmo a luz do sol que entra pela janela e toma conta do corpo dela.
Mas aí ela decide levantar. Parece que minhas veias estão secando. Mas ela só levantou da cama.
Viram? Estou enlouquecendo.
Entretanto, o meu medo não seria em vão.
Ela virou para mim, com aqueles olhos tão secos e azuis, e me disse:
- O sol já nasceu.
Eu deveria ter apenas sorrido, e a puxado de volta pra cama. Mas eu não fiz isso, é visível que eu não havia feito isso. Pois então, não haveria história.
Então eu disse:
- Está cedo, ainda.
Ela pegou em minha mão.
- Sabes que não. Sabes que está de cabeça pra baixo.
Respondi imediatamente, com as veias já em transe.
- Eu te amo.
Ela baixou a cabeça, aquilo não era um bom sinal. Eu sabia que não.
- Eu deveria ir...
Então, me dei conta de que o verão já havia começado.
- Você vai embora, outra vez?
- Em algum momento isso iria acontecer, e você sabe disso...
- Sei, mas não quero acreditar.
- Querer não é poder. E essa frase me enoja.
- Eu sei que você detesta frases prontas.
- Não posso fingir...
- Também sei que não quer mentir.
- Então não complique as coisas.
- Só não vou entender, porque sempre acabamos nessa cama, discutindo o fim, toda vez que nasce o sol.
- Não precisa entender. Eu já estou indo.
- Mas você vai voltar.
Eu queria que ela voltasse, eu precisava que ela voltasse. Então percebi que os olhos dela estavam miúdos. Estavam trêmulos.
- Eu não vou voltar dessa vez, chega de histórias sem finais. Chega desse maldito ciclo em que nos enfiamos.
- E o amor, onde fica?
- Fica dentro. Até um dia, resolver ir embora.. Todas as estações acabam e se renovam um dia.
- O amor não é uma estação.
Eu senti vontade de apertá-la. Não, eu não ousaria machucá-la. Mas eu queria, naquele momento eu quis. E se isso soa doentio e rude, que seja! Não vou mentir nos meus pensamentos.
- Se for ou não, continua sendo uma escolha. E eu já fiz a minha, lamento ter que ir assim, mas você não me deixou outra opção.
Ela me deu as costas. Estava exausta, queria sair do meu quarto voando, mas eu não consegui deixar que ela fosse assim tão fácil. Eu ainda precisava dizer alguma coisa.
- Você também não me deixou outra opção.
Ela virou o rosto em minha direção, esperando uma resposta.
Respirei fundo, e disse:
- Palavras não fazem sentido, mas se você quer me deixar de fora, me deixa de fora... Pode ir, a porta está aberta.
E ela foi.. Nem olhou pra trás.
Se me arrependo de não ter me humilhado naquele momento? Sim, me arrependo. Talvez se tivesse dito o que realmente senti, estaria acabado agora, e renovado na próxima estação. Mas meu orgulho me pediu arrego. Me pediu as contas.
Vou continuar aqui, escrevendo meus pensamentos sujos, tristes e totalmente sem sentido.
Afinal, amores e estações nunca fizeram muito sentido também.

Um comentário:

  1. Dola vosê é lnido qd quer, bjas ti amu, gooby e bogs.

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