E eu gostei de ti sim.. Não te amei por que não permitistes que eu o fizesse.
Me magoaste, abriu uma ferida que tratei de cuidar rapidamente.
Se fosse antes talvez ainda estivesse aberta. Pena que me conhecestes agora..
Se o teu plano era de me devastar, falhaste.
Feridas as vezes, tornam-se cicatrizes. Estas, levamos pela vida toda.
E sim... Você é uma cicatriz minha. Mas não se preocupe, não dói.
Só.. Incomoda momentaneamente, sabe?
Mas também não caiu na sua. Ou tento não cair.
Sabe que tem poder sobre mim, mesmo que mínimo.. É como um ímã.
A raiva passou no mesmo momento em que senti. Evaporou no ar.
Sou protegida pelos meus medos..
Desde muito tempo uso essa capa. Ela me atrapalha em vários momentos, mas também me mantém firme quando deparo-me com momentos como os teus.
Você é lindo, e sabe.
Eu sei também.
Por isso prefiro a distância.
Sei que sabes que tem efeito em mim.
Só não sabes que sou mais forte do que teu ego.
Me deparei com tantos de ti, nessa longa estrada que já percorri.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
O Hobbit.
- Lembrei de ti, ontem.
- O que?
- Em como a gente ria junto.
- No teu jeito insuportável de ser.
- E na tua cara de imbecil.
- É, nos divertimos muito juntos. Apesar do pouco tempo..
- Talvez...
- (Silêncio)
- Me sinto mal.
- Por que?
- Por tudo.
- Tudo bem, eu nem sinto mais.
- Sentiu algum momento?
- Eu que deveria te perguntar.
- O que achas?
- Acho que me enganou.
- (Silêncio)
- Não sei o que você vai me responder... Mas também não quero saber.
- Você está feliz agora?
- Eu nem te respondi se gostei de ti.
- Você não me responde nada mesmo.
- Só sorria, você fica lindo quando sorri.
- Gosto muito de você.
- Ambos.
- Mas ainda me sinto mal.
- Você parece feliz, na verdade.
- E estou.
- Sabia, que não te suporto na maioria das vezes né?
- Sei... Por isso ainda te importuno com minhas perguntas.
- Tenho raiva de mim por ainda respondê-las.
- Você nunca responde.
- Nem sei quem você é. Nunca soube.
- Eu tentei.
- Não... Você usou. Mas não és ruim.
- Que imagem tens de mim?
- Já te disse que não sei quem tu és. E o tempo de tentar descobrir já se foi.. Você mesmo fez questão de interromper.
- Não foi minha intenção te magoar.
- Teu ego é tão alto, que nem enxergaste a mim naquela época.
- Nunca pude saber se gostavas de mim, também.
- Faça-me o favor de não usar esse tipo de argumento. Acho que nossa conversa termina aqui.
- Gosto de conversar com você.
- Eu não sei se gosto, mas odeio não sentir ódio de você.
- Não sou ruim assim.
- Você é apenas um hobbit de merda!
- Olha aí, você descobriu o que eu sou.
domingo, 8 de abril de 2012
Chei-rar.
- O que você está fazendo aqui outra vez, Melina?
- Só.. Senti falta de sentir teu cheiro.
(Ela olhou ele nos olhos com fervência)
- Não sei por que ainda insistes nisso...
- É simples.
(Ele queria falar, mas preferiu só acender um cigarro)
- Me dá um?
- Cigarro?
- É, e o que mais seria?
(Ele deu)
- Você vai ficar calado?
- E o que quer que eu fale?
(Tragou com toda força)
- Acho que seu cheiro não é mais o mesmo.
- Por que?
- Está azedo.
- É o cigarro.
- Não não... É você mesmo.
- E qual costumava ser o meu cheiro?
- Cheiro de tardes chuvosas, com um pouco de grama por cima. Sempre que te abraçava, teu cheiro ficava no meu casaco.
(Ele só tragava, ainda calado)
- O cigarro nunca foi o problema.
- O problema sempre fomos nós.
- É.
- Quer outro cigarro?
- Não.
- Então acho que já vou.
- Boa sorte.
- Com o que?
(Ele jogou a bituca de cigarro no chão, pisando nela)
- Com seu cheiro azedo.
- Ele me faz feliz.
- E já não me faz mais.. Acho que precisava disso para ter certeza.
- Desculpe.
- Não, não se desculpe! Os cheiros mudam, assim como as estações e sentimentos.
(Ele sorriu)
- Espero que encontre outro olfato por aí. Um olfato que te ame, tanto quanto o meu te amou.
- Cheiros são sempre lembranças.
- Eu bem sei.
(Ela piscou pra ele, como se quisesse avisar que estava tudo bem)
E ela pensou enquanto ele ia: - ''É, o cheiro não é mais o mesmo. O sentimento também não.. Mas as memórias parecem parar no tempo. Ainda posso sentir o cheiro do seus olhos quando dizia que me amava.''
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Tão longe, tão perto.
Passei várias das minhas longas tardes pensando nela. No modo como ela abria a bolsa, apressada, procurando por alguma coisa que ela nem sabia o que era. Reparando nos olhos, tentando entender de onde vinha aquele olhar tão independente... Nunca ousei falar com ela, acho que mais por medo do que por vergonha. No final das contas, aquele olhar... Ele me afastava dela. Tão longe, tão perto.
Tenho quase certeza que ela nunca me reparou sentado naquele banco do parque. Assim como tenho certeza que mesmo que tivesse me visto, não teria me enxergado.
Até hoje me pergunto se deveria ter derramado um copo de suco no vestido dela, só pra ela me xingar.
Pelo menos teria me visto.
Desde que a venho reparado na praça, meus pensamentos sobre mim mesmo mudaram. Não me sinto mais tão vazio. E isso tudo é absurdamente estranho, por que ela não sabe nem ao menos que existo. Devo me atrever?
Tenho a inconsistência de nunca saber de nada, mas quando se trata dela, parece piorar...
Nem ao menos sei o seu nome.
Mas acho que isso alimenta o meu querer.
Mas acho que isso alimenta o meu querer.
Ela tem rosto de Cecília, e alma de Manoela. Talvez nenhum desses... Talvez só Maria.
E eu? Eu apenas eu mesmo, apenas o cara do banco, que ela nunca se quer relançou o olhar. Ah... O olhar!
Ela chegou! Ela está aqui! Ela está na minha frente! Está vindo em minha direção!
Não.. Não pode ser.. Ela sentou-se ao meu lado.
Não.. Não pode ser.. Ela sentou-se ao meu lado.
O que faço? Não parei de escrever ainda, ela vai pensar que sou um nerd sem precedentes... Droga!
- Você nunca cansa de anotações?
Ele pensou: Ela está mesmo falando comigo? Meu coração está em pane. Fale.. Seu idiota, FALE!
(Gaguejando)
- E-Eu? Bo-boa tarde. Só.. Estou aqui, tentando escrever algo bom.
- Eu sempre o vejo aqui, sentado nessa mesma posição, com esses mesmos livros. E sempre rabiscando.
Ele pensou: Ela me viu? Só pode estar mentindo.
- Já me viu aqui antes?
- Se eu estou falando, é por que vi.
- Ah.. Desculpe, pensei que nunca havia reparado.. Eu que sempre a vejo por aqui, sempre muito apressada.
- É, a vida é rápida, e nos requer habilidades. Nem sempre tenho as que preciso, mas tento.
- Você é muito bonita. Se me permite lhe elogiar.
- Permitir eu não permito, mas já que o fez. Obrigada.
Ele pensou: Não posso acreditar que estou falando com ela.
Ele só sorriu.
- No que está pensando? Aliás, posso ver o que escreveu?
- Estou pensando, que não deveria mais pensar em nada.
- Posso ler?
- Os meus rabiscos?
- É.
- Pode.
E ela leu. Fazia umas expressões de sarcasmo enquanto lia.
- Quem é essa vadia?
Ele se espantou, mas riu.
- Você.
- Eu?
Abriu a boca em tom de risada.
- É.. Mas, não quis dizer que era vadia..
- Hum.. É?
- Sim.
- Escreveu sobre mim mesmo?
Ele fez que sim com a cabeça.
Ela gargalhou.
- Você repara bem.
- Você também, mas pensei que não.
- Você anda pensando muito e fazendo nada. E a propósito meu nome é Lúcia.
- Seu nome... Eu.. Estou tentando não pensar em nada agora.
- Mas está.
- Adivinhe!
- ''Será que devo beija-la? Ou será que ela vai me bater?''
Ele corou e sorriu de lado.
-Errei?
- Mais ou menos...
- Então o que pensavas?
- Que você é estupidamente linda!
Ela abaixou a cabeça. Ele levantou-a com a mão direita.
- Seus olhos...
Ela levantou a sobrancelha esquerda.
- São.. São.. Tão.. Ameaçadores.
- Não tenha medo. São só pálpebras.
Ele contraiu a boca.
- Estou tentando.
- Não tente, não pense... Faça! A vida é curta demais pra apenas pensar sem agir.
- Você tem sempre pressa.. Mas é isso que te deixa linda.
Ela sorriu.
Ele a beijou devagar... Bem devagar.
Ela pensava que aquilo já deveria ter acontecido. Ela deveria ter sentado naquele banco antes, bem antes.
E ele só pensava que não queria mais pensar. Queria estar.
domingo, 1 de abril de 2012
Suficientemente.
- Por que acha que devemos ficar juntos?
- Por que até hoje, os motivos que me destes pra te esquecer, ou desistir de ti nunca foram suficientes.
- Tenho medo dessa coisa...
- Amor?
- Tenho medo de como me lê, também.
- Não tenha, é tão simples.
- Me dá calafrios.
- Só quero te mimar, te deixar aquecida nas noites de inverno, assistir um filme, comer pipoca com leite condensado, roçar meus pés nos teus... Eu só quero estar.
- Comigo?
- Conosco. Quero estar com você. Estando com você estou comigo.
- És doçura em pessoa...
- Amo quando fala assim.
(Ela abaixou o olhar.)
- Não abaixa esse olhar..
- Só não sei se sou suficiente pra ti...
- Teu nome.
- Meu nome?
- É, o teu nome me soa lindo.
- Mas..
- Não existe mais... Eu só quero te beijar agora.
- Eu amo você.
- Viu? Isso basta.
- Mas eu posso estar mentindo.
- Eu sei que não está, você ainda está de olhar baixo.
- E?
- E quando você mente, você tenta me olhar nos olhos, bem fundo pra tentar me fazer acreditar.
- Bobo.
- Linda.
- Me beije.
- Tudo que você quiser.
(Beijos.)
(Ela ainda calada.)
- Por favor, não tenha medo.
- De amar?
- De tudo que ache que não é suficiente.Só pela maneira como meche nesse casaco agora, já é o suficiente pra mim.
- O suficiente é estar sem palavras.
- Quem ama, nunca vai poder explicar.
Memórias de sentir.
- Lembra quando você costumava se importar?
- Lembro.
- Era tudo tão mais fácil nessa época...
- Acha?
- Até seu sorriso era diferente.
- (Silêncio)
- Mas.. Ainda te amo tanto..
- Eu também.
- 'Eu também' não é eu te amo. Assim como um pato não é uma galinha.
- Desculpe... Eu.. Estou tão cansado.
- Eu também.
- É diferente.
- É, você tem razão. A diferença é que eu não sei como me livrar disso.
- Sinto muito..
- Não, você não sente nada.
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