terça-feira, 10 de maio de 2011

Negando e se entregando.


''Junte-se à mim.'' Disse ele com os olhos brilhando.
"Faça uma massagem em meus pés." Disse ela em tom áspero.
"Abra seu sorriso" Singelo.
"Me dê um único motivo" Amena.
"Amo você" Medroso.
"Só?" Autoritária.
"Não é o bastante?" Triste.
"É sim, mas é o suficiente pra me juntar à você?" Insegura.
"Amor não é o suficiente, tudo bem. Eu por inteiro adianta?" Cabeça baixa.
"Ah.. Mas assim não vale..." Sorriso eloquente.
"Só por que você não admite que me ama, não significa que eu vou deixar você fazer isso." Sorriso de lado.
"Você não tem jeito... Você é mesmo um.." Mãos frias.
"Um..? Você não tem coragem de falar até o fim. Por que sabe que me ama." Mordendo os lábios de ansiedade.
Ela levantou e foi até ele. É, ela foi.
Ele a olhava com os olhos mais verdes possíveis. Sentindo que poderia deixar de ser o cara mais azarado do mundo em segundos.
"As vezes as pessoas só costumam fazer merda com as outras, por que sabem que são amadas. Ainda quer me amar?" Levantou uma das sobrancelhas, em tom ameaçador.
"E você acha mesmo, que não sei disso? Não precisa falar na 3ª pessoa. Já sei que está indagando sobre você mesma." Sorrindo. Só. Continuou:
"E não, eu não vou desistir, só por que você levantou essa sobrancelha em tom de ameça para mim."
"Ah! Você merece muita merda mesmo." Rugas.
"É por isso que amo você." Franziu a testa.
"E é por isso que eu não canso de fingir que não te amo." Mordeu o lábio, sorrindo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Abc no imperativo.

Calma.
Mantenha a alma.
Sonhe com as nuvens
E não esqueça que elas são instáveis
Crie imagens
Atualize as imagens
Não vivereis de memórias postas
Leia as linhas dos versos mais inatingíveis
Conte o alfabeto, como se contasse ao seu amado que o ama
Ame o alfabeto como se amasse aquele que não te ama e não merece
Sonhe com o alfabeto também
Aproveite e diga para o alfabeto o quanto você se indigna com a ausência que ele causou
Não esqueça de dizer que não pode mais ler todas as letras dele,
Pois já sabes de cor e agora queres aprender outras letras.
E as novas nuvens irão criar a calma.
Acalmou?

Cafeína

Lá vou eu outra vez
Perdida na imensidão da dor
Juntando as folhas que se dizem minhas lágrimas
Aparentando solidão
Aparentei escuridão
Jantei café
Café preto, com gosto de saudade
Lambi os beiços à procura da nostalgia
Movi os olhos em direção ao vento
Vento que não tem cor, que não me deixa sorrir
Abro meus braços em sinal de indignação
Mas outra vez me vêm o gole do café
Gole que ardeu, mas não queimou.
O café acabou
Meu último gole foi este
Amargo e seco.

Achei que cansei

Cansei da velha maneira de achar tudo.
Dos seus achismos
Da boca que fala sem pudor
Das opiniões que ferem
E da falta de coragem
Cansei da falta de respeito

Cansei da falta de você
Cansei de você
Mais lamentável ainda, cansei de mim.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Recado do meu eu-lírico.


Confesso que estive com raiva. Estive com muita raiva de você.
Senti vontade de nunca ter te conhecido, de nunca ter feito o que fiz com você e por você.
Imaginei porque tive que sentir toda essa dor novamente.
Percebi, que mesmo que não tivesse sentido nada do que senti esses dias, depois do que aconteceu.. Tudo seria o mesmo. Pois eu amo você. E vai ser assim, até eu conseguir olhar pra você e não sentir minha barriga embrulhar. Até te ver online e não mudar meu comportamento.
Não ficar nervosa por saber que você sabe que me importo. Mesmo eu negando até minha morte o contrário. Pois modéstia parte sempre fui uma ótima atriz.
E quando esse dia chegar eu poderei dizer que não te amo mais.
Confesso mais uma vez, que não queria que esse dia chegasse. Pois apesar de todo infortúnio, é
com você que quero passar os meus míseros dias.
Sim, é você que eu desejo, desejei e desejarei.
Conformei-me com essa hipótese que meu coração tanto quis me fazer entender.
Já aceitei. Aguardo com destreza o momento certo de esquecer.
Que eu mesma tenha força pra carregar essa incerteza. E vou.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Enxugo e esqueço, pois amo.




Ele viu, o que ela fazia.
Ela fazia, e nem se importava com quem via.
Ele foi até ela.
Ela começou a chorar.
Ele a abraçou. Somente.
Não se falaram, só continuaram se abraçando, e respirando.
Ele pegou na mão dela. Ela com a cabeça baixa.
As lágrimas caíam.
Ele segurou agora com mais força as mãos frias.
Ela levantou o rosto.
Ele espremeu os lábios como se quisesse chorar.
Ela colocou uma das mãos em seu rosto.
Fechou os olhos, e disse:
-''Quantas vezes vamos nos machucar assim?"
Ele via a feição de lamento em que ela se encontrava.
E disse:
-"Abra os olhos.''
Ela não queria. As lágrimas pareciam tomar conta do rosto dela. Mas abriu.
Ele estava agora com um lenço nas mãos.
Ela não entendeu.
-''O que isso quer dizer?''
Ele sorriu. Pegou o lenço e pôs na mão dela.
-''Quer dizer, que depois de tanto sangue entre nós, precisamos apenas nos limpar, fechar essa ferida. E deixar que cuidemos um do outro, como só nós sabemos fazer."
Ela olhava para aquele lenço em mãos e não sabia o que dizer.
Então ela o abraçou com tanta força que perderam o ar.
Ele olhou para ela, apreensivo.
Ela passou o lenço sobre o rosto dele e disse:
-''Sei que tenho o poder de te fazer sangrar, mas sei ainda mais, que só eu tenho o poder de curar. Então por favor, não pense que em momento algum eu não pensei em você. Ou que a ferida que deixei em você, vai se propagar. Por que eu não iria deixar, eu não vou te deixar.''
Ele ainda estava de olhos fechados. Tentando não errar dessa vez, por que agora era fatal.
Muita dor, muito sangue já havia sido jorrado.
Então ele abriu os olhos, e a encontrou com lágrimas nos olhos, com um sorriso enorme. E esperando um beijo. Ele sabia que ela só queria isso.
Um toque e fim.
Tudo parecia ter se esvaído.
Mas é assim, quando se ama.
Quanto maior a tempestade, parece que maior é o esquecimento, quando tem-se o desejado outra vez.

domingo, 1 de maio de 2011

Vermelho de sangue. Sangue de amor.

Estou pisando em mim mesma.
Estive alternada sobre minhas próprias decisões.
Não consigo engolir minha saliva, por que meu sangue está pulsando pra fora do meu coração como se quisesse me espancar por dentro.
E o resultado são essas lágrimas sem precedentes.
Mas me bato mesmo. Me espanco por dentro, pois mereço.
Mereço muito mais do que ser espancada por mim mesma.
Meu sangue ainda não se esvaiu...
Me leve pra fora de mim... Me tire do meu eu.
Jogue todo esse martírio, longe das minhas veias.
Só quero admitir que não amo.
Só queria admitir que não preciso dele pra pulsar.
Sei pulsar sem sangue.
Sangue só trás mais sangue
E se eu não fosse tão tola, teria suportado toda aquela força que vem de não sei onde.
Mas já que fui, que eu sangre até cair.
Nada mais justo, que um mar vermelho de dor.
Consengui o que eu queria?
Se eu mesma me pergunto, onde vou parar?
Espalhada pelo chão.
Fingindo não sangrar. Fingindo não precisar. Fingindo não se acomodar.
Só fingindo.
Fingindo ser sangue, quando na verdade é amor.